A vida corre fria lá fora e da janela encaro-a.
Temo-lhe a pressa com que vai, mas acompanho-a com os olhos
e as mãos a formigar de desamparo, porque como quase sempre
eu não sei a que me agarrar.
Peço, num suspiro profundo, que a vida pare.
Não consigo acompanhar a sua pressa mas nadalamento,
porque ainda existem milhões de estrelas para contar…
e eu que gosto tanto de vê-las, não sei como o deixar de fazer.
Anoiteço…
e faz frio lá fora.
A vida ainda corre e eu ainda estou à janela.
O poema nasce das minhas mãos inquietas e desta alma que teima em viver sonhos
enquanto a vida corre, o mundo aanoitece
e eu anoiteço, também…
Dou, por rebeldia, asas ao poema,
porque as mãos não se acostumam à quietude
e eu sei que as noites são dos poetas,
os poemas das estrelas e eu
sou livre para sonhar, mesmo que a vida corra,
A noite acabe e este poema tenha fim…
Até chegar o amanhecer.
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